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Canal do Coronavírus: uma produção artístico-pedagógica sobre os protocolos de saúde / covid-19

  • Foto do escritor: Daniel calipo
    Daniel calipo
  • 18 de mar. de 2021
  • 7 min de leitura

Relato de experiência

Por Daniel B. Calipo, 18 de março de 2021


No início do de 2021, nós profissionais da educação fomos surpreendidos, já prevendo a surpresa, de que o ano escolar seria muito diferente no interior das escolas da educação básica, principalmente, na educação infantil. Os tais protocolos de saúde sobre as novas regras de comportamento para as interações entre criança-criança e adultos-criança foi nos apresentado, de forma necessária, sem dúvidas. Novas regras de interação e exploração dos espaços escolares foram impostas: distanciamento de 1.5 metro, uso de máscaras, redução do contingente das crianças nos espaços de educação, uso de álcool em gel e por aí vai...

Ficamos com aquele nó na garganta. Como iremos trabalhar com a educação infantil, o espaço por excelência do toque, do abraço, do afeto, do dar as mãos, de uma educação que se faz na proximidade e interação social, dentro destes protocolos de saúde?

À essa pergunta ainda não temos respostas. Mas, uma coisa nos caberia fazer: traduzir estes protocolos para uma linguagem lúdica, a fim de que as crianças fossem, de fato, nossas parceiras neste novo e oxalá Deus queira, passageiro contexto.

Assim, neste movimento, em nossas reuniões de planejamento pedagógico, tivemos essa ideia de tornar lúdico os protocolos de saúde entre nós e as crianças. Porém não sabíamos o que fazer.

Foi então no carnaval, aliás, no carnaval que não foi, que minha esposa teve a ideia de trazer para nossa casa fantasias, confetes, itens de carnaval para brincarmos entre nós, aqui de nossa família. Relutei um pouco por conta do desânimo geral causado pelas centenas de mortes em nosso país, por conta da covid-19, mas acabei entrando na dança e me fantasiei de palhaço. Neste momento surgiu a ideia de falar com as crianças da minha turma de agrupamento 3 (crianças de 3 a 6 anos de idade) sobre essa pandemia. Este agrupamento integra o Centro de Educação Infantil Dr. Mario Gatti, localizado no município de Campinas, local em que trabalho como professor da educação infantil.

Professor Daniel Calipo

No mesmo instante, gravei um vídeo fantasiado de palhaço, pedindo para que as crianças me falassem o que era esse tal de coronavírus e como ele entrava dentro de nós. Enviei o vídeo para minhas colegas professoras da escola, e essa ação acabou virando uma ação de todas turmas do Agrupamento III de nosso CEI.


Enquanto as crianças iam enviando estes vídeos para o palhaço, comecei a escrever uma peça de teatro junto à Andréia Marques, agente de educação infantil de nosso CEI. Em diálogos de Whatsapp, fomos tecendo uma história de teatro, já pensando em uma adaptação para o audiovisual, pensando em cenas que fossem possíveis de serem realizadas com recursos de Tela verde (Chroma Key).

Após finalizarmos o texto e a elaboração das cenas, convidamos outras agentes para atuarem conosco na peça, bem como uma aluna da escola, que por proximidade é minha filha, para representar todas as crianças nessa aventura. Tínhamos o palhaço Tibica, a Chapeuzinho Vermelho, o Lobo Mau, a Professora Déia, a Mariana, a Cozinheira Sasha e a Bruxa.

Agentes de Educação Infantil - NIlcemara e Alexsandra

Nesse meio tempo, o espaço de nosso CEI, por meio da gestão escolar, estava sendo todo readaptado às novas regras de comportamento, previstas nos protocolos de saúde para a educação infantil do município. Marcações no piso das salas de aulas, refeitório, quadra, itens de higiene na entrada da escola, banheiros, corredor. Enfim, estávamos nos preparando à volta às aulas em 01 de março de 2021.

Assim, com a escrita do teatro finalizada, marcamos para ir ao CEI com os itens de gravação, que por ventura eu tinha adquirido no ano passado, por conta da demanda de produção de vídeos escolares à educação remota, como câmeras de filmagem e tripes, para iniciamos as gravações das cenas deste teatro.

Cenas do ônibus

Para estas gravações, usei duas perspectivas técnicas de movimento cênico. Em um estúdio improvisado com tela verde no interior de uma sala de aula, gravamos as cenas que seriam editadas em Chroma Key. Recursos como biombos verdes, construções de maquetes, elementos cênicos e desenhos foram construídos pela equipe de profissionais de nosso CEI, além de tecidos verdes que estendemos para estas gravações.

Até mesmo fui atrás de uma televisão de tubo para desmontá-la e gravar algumas cenas dentro da TV.




Cena do palhaço tomando choque dentro da TV
TV de tubo desmontada

Já a outra perspectiva de gravação foi usar cenário reais, explorando todos os espaços do CEI, que já se encontravam adaptados às novas realidades de comportamento escolar, devido a covid-19. Nossa intenção era justamente mostrar, através do teatro, como as crianças encontrariam o CEI e como deveriam agir, a partir dos movimentos de cena sugeridos pelos personagens da história. Todas estas cenas geraram um banco de mais de 100 vídeos, para serem editados posteriormente por mim, em casa.


Cena no lavatório de mãos do CEI

Com a imersão de todas as professoras nessa atividade, muitos vídeos das crianças foram sendo encaminhados para o palhaço. Reservei estes vídeos a parte e comecei a pensar como eles entrariam no teatro. Nossa intenção, por princípio pedagógico, é tentar envolver as crianças de nosso CEI como protagonistas de seus conhecimentos. Assim, toda a história se movimenta para que, em um determinado momento do enredo, os personagens cheguem ao Canal do Coronavírus, local este em que as crianças explicam, com suas próprias palavras e conhecimentos, os próprios protocolos de saúde para evitar a transmissão da covid-19.

Matias Rodrigues Santana Macedônio (AGIII D – CEI Dr. Mario Gatti)

Esse foi um momento interessante, pois tive que dinamizar mais de 20 vídeos das crianças, contendo ao todo 30 minutos de vídeo para serem exibidos em apenas 2 minutos, tempo esse em que todas as crianças que enviaram os vídeos teriam para aparecer no espetáculo. Foi então que pensei em criar uma narrativa com cada palavra e frases das crianças que estavam contidas em seus vídeos, fazendo um encaixe de pedacinhos e pedacinhos dos vídeos para gerar uma prosa única.

Resolvido este desafio, me debrucei à edição do teatro-musical no computador. Foram horas e horas a fio para conseguir dar vida fantástica às ideias que colocamos no papel.


Maquete da sala de aula

Somado a estes vídeos dos profissionais de nosso CEI, também me debrucei para a construção das maquetes, estas que dariam um pano de fundo plástico para nosso teatro-musical. Nesse intento, montei uma maquete de sala de aula com papelão e brinquedos LEGO, em qual espaço o palhaço abriria as portas da aventura para um mundo fantasioso, próprio das crianças.





Em outras cenas, construí ondas de mar com cartolina para filmá-las em movimento, sobrepondo-as em um vídeo único, o que daria um suposto efeito lúdico de várias ondas do mar.

Cena do barco em movimento


Sobre a composição da música: Criança Consciente.


A minha história como professor da educação infantil está muito associada à minha história de músico-compositor. São duas realidades que se misturam em minha prática pedagógica, fazendo com que uma de minhas principais ações seja a composição de canções autorais junto às crianças das minhas turmas. Muitos trabalhos foram realizados por mim, nessa perspectiva da música autoral compartilhada, na Prefeitura Municipal de Campinas, trabalhos estes que me renderam um estudo de mestrado sobre este tema. São práticas artístico-pedagógicas que vem me constituindo como um professor musical.

Sobre a peça do Canal do Coronavírus, como ela estava precisando de uma música autoral, um clipe musical para torná-la, de fato, um teatro-musical, comecei a pensar em uma nova composição. Assim, ao mesmo tempo que editava as cenas do teatro, passei a compor uma letra que expressasse as ideias contidas nos protocolos de saúde. Nessa ação específica, não consegui envolver diretamente as crianças à essa composição musical, por conta da demanda de trabalhos e dificuldades do distanciamento social. Decidi por criá-la de forma autônoma.

Pensei em compor algo musical que fosse mais “pop”, o que não é muito o meu estilo musical. Mas acabou saindo um “soul music”, em qual usei recursos eletrônicos para compor o ritmo, harmonias e melodias. Usei também o teclado como instrumento principal, ao qual fui agregando outros instrumentos como a guitarra, o violão, baixo elétrico e sons do corpo, como palmas e técnicas de “beat box” (recurso esse que as crianças gostam muito de brincar em nossas ações musicais). Como tinha todos esses instrumentos em casa, e recursos para gravá-los, acabei executando-os e timbrando toda a canção. Mixei o áudio e gravei a voz.

Prof. Daniel Calipo gravando a canção Criança Consciente

Com o êxito da música autoral, convidei novamente as profissionais de nosso CEI para gravarmos as cenas que comporiam o clipe dessa canção, que na prática era uma resposta a todo conhecimento apreendido por nós, nos vídeos que as crianças nos enviaram, e sintetizaria toda a intenção da história do Canal do Coronavírus em uma performance estético-musical.

Mas para nossa surpresa, logo no começo de março de 2021, o aumento das restrições por conta do avanço da covid-19 em nossa cidade restringiu uma participação mais coletiva às gravações do clipe da canção. Havia uma intenção de gravar também as vozes das educadoras para compor um coro na música. Mas com as restrições do contingente de profissionais em nosso CEI, isso não pôde acontecer. Deste modo, foi nos autorizado que apenas 4 profissionais de nosso grupo pudessem ir para as gravações das cenas do clipe. Assim, voltamos ao nosso CEI, para gravamos essas cenas. Foram cenas muito significativas para nós educadores e educadoras, pois estávamos representando toda a alegria que as crianças nos passavam, quando estávamos juntos delas brincando na educação infantil e que, agora, afastados, tínhamos a intenção de repassarmos a elas.

Com mais estas cenas de vídeo para o clipe, voltei para mais horas e horas a fio de edição de vídeos para terminar todo o teatro-musical.

Com o trabalho pronto, tive a ideia de fazer um lançamento ao vivo desta peça junta às crianças, e todas as profissionais que integraram essa proposta de trabalho artístico-pedagógico. Em comum acordo, a equipe escolar do CEI Dr. Mario Gatti realizou este encontro interativo remoto, através da plataforma do Google-Meet no dia 17 de março de 2021, momento este que fizemos o lançamento deste trabalho.

Estreia do teatro-musical: Canal do Coronavírus. Dia 17 de março de 2021

Compartilhem essa produção! Abraços!


 
 
 

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